Todo entusiasta da impressão 3D sabe muito bem que o potencial de inovação da área é praticamente ilimitado. Novas soluções são criadas todos os dias para os mais diversos tipos de uso, desde peças de robótica até artigos de moda. Uma das áreas que possui maior potencial de inovação a partir das impressões 3D é a saúde. Por isso, neste mês de conscientização sobre o câncer de mama, decidimos compilar algumas iniciativas que estão sendo desenvolvidas para auxiliar no combate à doença e trazer mais qualidade de vida a milhões de mulheres.

Próteses mamárias impressas em 3D

Uma empresa médica da Nova Zelândia, chamada MyReflection, está desenvolvendo próteses mamárias personalizadas para pacientes de câncer de mama pós-mastectomia, usando escaneamento 3D e moldes impressos em 3D. As próteses são feitas a partir de uma digitalização do tronco em 3D e são projetadas com um núcleo interno e um silicone externo, sendo mais resistentes, confortáveis e duráveis que as próteses tradicionais. Geralmente, a prótese tradicional é encaixada em um sutiã de mastectomia feito especialmente, mas é comum que a sensação seja de desconforto devido ao peso e ao encaixe da prótese. Com a ajuda da impressão 3D, a MyReflection criou próteses de mama leves e personalizadas, com núcleos internos macios que se moldam ao corpo sem lacunas ou pontos de pressão, sem a necessidade de uso de um sutiã especializado.

Tal iniciativa também ocorre em outras partes do mundo. Outras empresas que adotam a impressão 3D na criação de próteses mamárias são a canadense New Attitude Prosthetic Designs e a indiana Prayasta. Segundo Irene Healey, fundadora da empresa de Toronto, “…é necessário que a prótese mamária seja elevada em paridade com outros dispositivos protéticos. Cada época tem uma cultura material para próteses. A impressão 3D é a cultura material do nosso tempo.”


Bioimpressão

Para além das próteses e moldes, outra ideia que está em fase embrionária mas possui imenso potencial é a bioimpressão. A empresa americana TeVido BioDevices pretende utilizar células da pele e gordura das próprias pacientes para fabricar tecido e enxertos utilizados em cirurgias de reconstrução da mama. Tal procedimento se mostra muito mais próximo da realidade que a reconstrução de órgãos complexos como o fígado ou o coração, e apresenta maior eficiência e adaptabilidade quando comparado aos métodos tradicionais em cirurgias de reparação.

Mas não é só nos casos de câncer de mama que essa mesma lógica se aplica. A bioimpressão 3D promete ser uma das mais revolucionárias tecnologias capazes de mudar os rumos do diagnóstico e tratamento de inúmeras doenças. Acredita-se que entre cinco e dez anos será possível produzir tecidos impressos com características específicas, passando por tecidos ósseos, de cartilagem, de pele e até enxertos e outros órgãos.

Tratamento com implantes biodegradáveis

Aqui no Brasil, outra iniciativa no tratamento de pacientes com câncer foi desenvolvida por um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina. O estudo analisou a possibilidade de customizar implantes liberadores de fármacos através da impressão 3D. Tais implantes são modelados em formas adaptadas à cinética do corpo e são compostos de polímeros biodegradáveis aliados a componentes medicamentosos, com a proposta de reduzir a agressividade no tratamento de pacientes com câncer por meio da liberação localizada de fármacos.


Tão importantes quanto as novas soluções trazidas pela impressão 3D no combate ao câncer de mama são as práticas de prevenção e diagnóstico precoce da doença. Toda mulher com 40 anos ou mais de idade deve procurar um ambulatório, centro ou posto de saúde para realizar o exame clínico das mamas anualmente. O mesmo também vale para mulheres de qualquer idade que detectem algum tipo de alteração nas mamas através do auto-exame. Converse com outras mulheres e contribua com informações para a campanha do Outubro Rosa.

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